Itaparica, a grande batalha – Parte 4

05.12.196 –  Quinto dia de ocupação –  Na reunião comandada pelo Diretor de Obras ,José Carlos Aleluia, o clima era de respeito. A conversa se deu, de ambas as partes, de forma  dura, objetiva, sincera , mas sempre educada.

Sem alterar o tom, mas com firmeza na voz,   as lideranças sindicais  reafirmaram a posição do movimento: nada seria negociado sem a presença de um representante do Ministério de Minas e Energia. Não aceitariam mais  promessas. Queriam prazos definidos e o compromisso de que a barragem não seria fechada antes do reassentamento de todas as 7.000 familias atingidas.

Do outro lado da mesa, Aleluia reconheceu os atrasos no cronograma da Chesf com relação aos reassentamentos, elogiou a capacidade de diálogo dos ttabalhadores e se comprometeu em trazer  alguém do Ministério , conforme reivindicado. Mas, não deixou de registar a responsabilidade recaída sobre os trabalhadores, caso o patrimônio da Companhia sofresse algum dano. 

Cientes de que o prejuízo provocado pela obra parada tinha força de mover montanhas, no dia anterior , os agricultores haviam decidido parar a obra por completo. Funcionários das empreiteiras  cruzaram os braços em apoio ao movimento dos trabalhores rurais. Muitos eram filhos de agricultores da região e também tinham interesse no reassentamento. Então, ficou fácil. Aos poucos as máquinas do lado baiano foram paradas.

Mais tarde, um avião era visto sobrevoando o canteiro de obras, certamente avaliavam o tamanho do movimento. Na impossiblidade da presença do Ministro, que se encontrava fora do pais, um representante do Ministério de Minas e Energia chegava para a primeira rodada de conversa .  A ocupação ganhou as páginas dos principais noticiários.

Através das entidades católicas internacionais e outras organizações de classe, que apoiavam o movimento, a notícia correu o mundo. Nas tribunas das Assembleias legislativas , enfim, políticos defendiam o progresso, mas não com base no sacrifício das pessoas. O governo era instado a dar respostas. A arena estava pronta. O dia 06 de dezembro estava prestes a entrar para a história.

Por Paula Francinete Rubens de Menezes, baseado em entrevista de Vicente Coelho , concedida à autora em janeiro de 2018, e em arquivos da mídia.

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